Inteligência de proteção · qualidade das fontes

Antes de um relato de ameaça virar um briefing

Um fluxo de dados pode reunir milhares de relatos sem representar milhares de eventos distintos. O que importa é saber o que cada relato sustenta e o que ainda não foi confirmado.

Comece pela afirmação, não pelo volume

Um relato é um item de informação. Um evento é algo que aconteceu. Vários relatos podem descrever o mesmo evento, e um relato pode incluir mais de um. Não se pode chamar uma contagem de relatos de contagem de eventos sem explicar como essa diferença foi tratada.

Esta página apresenta perguntas para avaliar essa cadeia de informação. Não traz uma nova conclusão sobre criminalidade no Brasil nem um resultado comprovado de uma operação de proteção.

Encontre a fonte original

Pergunte quem divulgou a afirmação primeiro e qual evidência tinha. Um testemunho direto, um registro oficial, uma notícia resumida e uma republicação são fontes de naturezas diferentes. Registre essa diferença antes de dizer que uma confirma a outra.

Dois sites que repetem o mesmo relato não oferecem duas confirmações independentes. O número de páginas não equivale ao número de observações separadas. Uma boa nota mostra onde a afirmação começou e a relação entre os relatos posteriores.

Mantenha a data e o local junto do relato

Uma publicação nova pode tratar de um evento antigo. Separe a data do evento, a data da publicação e a data de entrada no fluxo de dados. Se a data for incerta, preserve essa informação.

O local exige o mesmo cuidado. Acrescentar o nome de uma cidade a uma notícia ampla não identifica a rua ou o bairro de uma ocorrência. Totais estaduais, metropolitanos e municipais respondem a perguntas diferentes.

Permita que outra pessoa reproduza a contagem

  • Defina a unidade: relatos, eventos distintos, pessoas ou registros administrativos.
  • Informe o início e o fim do período e o limite geográfico.
  • Explique como são identificadas repetições e como são tratados os registros que não podem ser relacionados.
  • Informe as fontes incluídas, as lacunas e a data em que o conjunto foi salvo.
  • Guarde a versão usada na publicação para que acréscimos posteriores não mudem uma afirmação histórica sem aviso.

Inclua a incerteza no briefing

Um relato pode merecer investigação antes de sustentar uma conclusão firme. Separe o que a fonte afirma, o que você interpreta e o que ainda precisa ser verificado.

Um pequeno subconjunto verificado não representa automaticamente toda a coleta. As fontes podem cobrir melhor determinados lugares, tipos de ocorrência ou idiomas. A proporção entre esse subconjunto e uma coleta incompleta não mede a frequência de ameaças em uma cidade.

Uma ficha curta para avaliar a fonte

Perguntas para acompanhar uma afirmação
CampoO que registrar
AfirmaçãoA declaração exata que está sendo avaliada
OrigemFonte original e evidência acessível
Data e localData do evento, da publicação e abrangência geográfica
IndependênciaSe os relatos de apoio têm a mesma origem
LimitesLacunas e explicações alternativas plausíveis
VersãoArquivo ou documento usado para chegar à conclusão

Perguntas frequentes

Uma coleta grande prova que a cobertura é ampla?

Não. O volume, sozinho, não demonstra cobertura geográfica, independência ou precisão. É preciso ter evidência separada sobre as fontes e o processamento.

Posso citar a comparação antiga entre 5.291 e 49?

Não a use como conclusão sobre eventos verificados por fontes independentes ou sobre o risco de uma cidade. Essa interpretação foi retirada. A página agora explica as perguntas sobre qualidade das fontes que precisam ser resolvidas.

Fontes e referências

  1. Verification Handbook: avaliação de fontes e verificação de evidências
  2. Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro: estatísticas e publicações oficiais
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